Câncer de Endométrio

O útero é um órgão situado na pelve feminina, com aproximadamente o tamanho de uma pêra. Uma das extremidades do útero é o Colo do útero, que pode ser facilmente examinado pela vagina. O colo do útero possui um orifício que dá acesso à cavidade uterina, onde ocorre a gestação.

O câncer de endométrio (Camada de tecido que reveste a cavidade interna do útero), por vezes chamado de câncer do útero, é o tumor maligno que se origina a partir das células desta região. É o tumor ginecológico mais comum entre as mulheres de países desenvolvidos, e o segundo mais comum nos países em desenvolvimento, perdendo apenas para os tumores de colo do útero (Porção do útero que pode ser visualizada pela vagina no exame ginecológico).

O tipo histológico (tipo de célula que dá nome ao tumor) mais comum é o carcinoma endometrióide. Existem 5 tipos histológicos principais de tumores do endométrio (endometrióide, papilar endometrioide, papilar seroso, células claras e mucinoso) sendo que, o comportamento entre eles varia e pode influenciar nas decisões terapêuticas.

Fatores de risco

Exposição prolongada ao estrogênio (Hormônio produzido principalmente pelos ovários, que faz com que o endométrio “aumente”). Apresentam exposição prolongada ao estrogênio: pacientes com menarca precoce (primeira menstruação) e menopausa tardia; uso de estrogênio oral sem progestágeno; períodos prolongados de anovulação. Obesidade também aumenta a exposição ao estrogênio, uma vez que parte deste hormônio é produzida no tecido adiposo (Gordura). Hipertensão e diabetes também são fatores de risco.

Sintomas

É um tumor típico de mulheres na perimenopausa, geralmente entre 55 e 65 anos. Com grande freqüência, este tipo de tumor causa sintomas precocemente o que facilita o diagnóstico precoce, aumentando a chance de cura. Em 90% das pacientes o sangramento após a menopausa é o primeiro sintoma, ou sangramento exagerado no período da perimenopausa. Algumas pacientes com mais de 35 anos apresentam-se com sangramento vaginal irregular ou volumoso.

Toda paciente com sangramento vaginal anormal deve realizar exame ginecológico.

A medida em que o tumor cresce, a paciente pode apresentar dor pélvica e edema de membros inferiores. Sintomas urinários ou intestinais, por compressão ou infiltração da bexiga ou reto, são infreqüentes, mas podem ocorrer.

Exames

O diagnóstico de câncer de endométrio é realizado por curetagem uterina ou histeroscopia (Com o auxílio de uma “microcâmera” é possível visualizar dentro do útero através da vagina e realizar biopsia de áreas suspeitas).

O exame de Papanicolau também deve ser realizado, uma vez que a presença de determinadas lesões de colo do útero podem mudar o tratamento.

Como o câncer de endométrio é uma doença de estadiamento e tratamento cirúrgico, a realização de exames esta focada na avaliação de risco cirúrgico (Rx de tórax, Eletrocardiograma e exames de sangue) e de ressecabilidade da lesão.

Pacientes em que o exame físico sugere um tumor localizado no útero, não necessitam múltiplos exames de imagem de alto custo. Casos em que o exame físico sugira tumor além do útero, geralmente são avaliados com Tomografia computadorizada ou Ressonância Magnética.

Estadiamento do câncer de endométrio (simplificado):
Estádio 0 – Carcinoma in situ (tumor restrito ao epitélio)
Estádio I – Tumor restrito ao útero.
Estádio II – Tumor que invade o colo do útero.
Estádio III – Tumor que compromete: a serosa (parte externa do útero),
linfonodo regional, ou vagina por extensão direta.
Estádio IV – Tumor que infiltra o reto e/ou bexiga. Ou que apresenta
metástase à distância.

Obs.: O estadiamento do câncer de endométrio é realizado baseado nos achados da cirurgia, a não ser pela presença de metástases à distância observadas em exames de imagem.

Tratamento

Até o momento, o tratamento com maior chance de cura para câncer de endométrio é a cirurgia. Para tumores iniciais, restritos ao endométrio ou superficialmente invasores, geralmente, a histerectomia (retirada do útero) é o tratamento de escolha. A salpingo-oforectomia bilateral (retirada das trompas e ovários) normalmente é realizada em conjunto, uma vez que o ovário pode ser sítio de metástase e a maioria das pacientes já está na menopausa. Além disso, é coletado líquido da cavidade abdominal para estudo.
 Tumores mais avançados podem exigir linfadenectomia (retirada dos linfonodos para onde o tumor costuma se disseminar), cuja extensão pode variar conforme os achados da cirurgia.

Apesar do objetivo principal da cirurgia ser o controle local da doença, ela fornece o Estadiamento do tumor que vai definir a necessidade ou não de tratamento complementar, como radioterapia ou quimioterapia.

AUTOR: Dr. Reitan Ribeiro

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